Interessante video sobre a gripe suína, vale apena assistir até o fim:
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Os Caipiras Retraídos…
09/08/2009Um texto muito interessante retirado do blog Gravataí Merengue (http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/).
POLÊMICA NA SEXY: AS FOTOS DA PANIQUETE FAZENDO PIPI
A paniquete Dani Bolina tirou fotos para a revista Sexy fazendo pipi. Isso mesmo: xixi. Nos países desenvolvidos, isso seria digno de bocejo, pois estão cansados de tal prática. No Brasil, provinciano que só ele, causa espanto. E a Sexy, mais uma vez, saiu na frente.
Dá para se ter uma idéia das imagens por aqui (clique apenas se for maior de idade, por favor. Caso contrário, desligue seu computador ou dirija-se a algum site infantil ou coisa que o valha ou simplesmente vá brincar de alguma outra coisa, sei lá…).
Pois é, essas são as imagens “chocantes”.
Reações
Penso em dois tipos distintos, diametralmente opostos e beeeem prováveis: a turma do “ai que nojo” e a rapaziada do “deixa quieto, cada um faz o que quer”. Concordo e discordo de ambos, porque nenhum deles vai ao centro do problema. São duas formas escapistas.
Explico.
O “ai que nojo” não discute a liberdade sexual, em especial, o passo largo que a revista deu ao publicar fotos de um fetiche até então inexplorado pela grande imprensa do sexo no Brasil. É uma “opinião íntima” sobre um “tema geral”. Fuga, portanto.
O “cada um faz o que quer” é o outro extremo, ou seja, outra fuga. Aparentemente, abre-se uma discussão sobre a liberalidade, mas ela se encerra no exato instante em que a frase termina, pois ela serve como salvo conduto para o suposto liberal não dizer mais coisa alguma.
E fica nisso.
Vamos ao centro
Nos EUA, na Europa e no Japão, o xixi (“chuva dourada”, “golden shower” etc.) é notícia velha. Não apenas feito assim no chão, mas em diversas outras modalidades: sobre a calcinha, sobre meia-calça, sobre homens, sobre mulheres, em relações homossexuais femininas, masculinas etc.
No Brasil, porém, o tabu foi quebrado pela Sexy, ao menos na grande imprensa. Nenhuma outra publicação da grande mídia publicou até hoje uma foto desse tipo, a não ser mocinhas sentadas no vaso ou agachadinhas fazendo pose.
Por óbvio, a maioria levará o caso para a seara da “polêmica vazia”, mas é uma ruptura significativa que vai muito (mas muuuuuuuuito) além daquela giletinha meia boca da Adriane Galisteu, que por sinal foi uma coisinha bem ridícula e provocou uma celeuma inexplicável e sem razão de ser.
Provincianismo sexual
A resistência às práticas sexuais diversas é a mesma resistência, por exemplo, à homossexualidade. E, vinte ou trinta anos atrás, era a resistência ao beijo em público. Em suma: é o comportamento provinciano, um comportamento tipicamente brasileiro.
Atávico.
Por mais que vendamos aos outros a idéia de que sejamos um povo que exala sexualidade, somos no fundo caipiras retraídos, bobocas envergonhados, uns ignorantes que não aceitam nada que fuja das grandes regras estabelecidas.
E é exatamente por isso que as fotos da revista Sexy dividirão as opiniões entre o “que nojo” e o “cada um faz o que quer”. Para que não precisemos discutir o assunto. Pois sexo nos envergonha.
Mostramos a bunda no carnaval, mas temos pudores de falar sobre sexo. Dizemos que somos bons de cama, mas batemos recordes de compra de Viagra (muitos adolescentes, aliás, compram a tal pílula azul sem necessidade alguma!) – os remedinhos para “disfunção erétil”, quando usados sem necessidade”, são a manifestação mais banal da virilidade torpe.
No mais, querem saber? Essa revista provavelmente baterá recordes de vendagem. E muitos dirão (como sempre, de forma apressada e sem pensar corretamente): “apelaram!”. Ora, o que é “apelar”? Por acaso, oferecer ao público aquilo que ele REALMENTE gosta, mas nem sempre pode/quer/consegue confessar é apelar? Não, não é.
Enfim, prevalecerá a dicotomia: “que nojo” e “cada um faz o que quer”.
Por Lae Kahraman
